Um individuo de nacionalidade portuguesa e residente em Vendas Novas apresentou ontem uma queixa no posto daquela localidade por suspeita da prática do crime branqueamento de capitais.

O queixoso após ter respondido a um anúncio de emprego, numa página on-line, mediante um ordenado mensal de €1.800, acrescido de comissões e possibilidade de crescimento dentro da empresa, foi-lhe depositado na sua conta €4.900 para posterior transferência, em dólares, para uma conta num banco localizado num país estrangeiro, através da WESTERN UNION.

O individuo por suspeitar do crime de branqueamento de capitais reportou os factos à GNR do Posto Territorial de Vendas Novas, tendo de seguida procedido ao levantamento dos €4.900 que foram apreendidos à ordem do processo como meio de prova e entregues nos serviços do Ministério Público respetivo.

A situação reportada não é nova sendo já do conhecimento da GNR que identifica estes indivíduos como “Money Mules”.

As “Money Mules” são aliciadas através de falsos anúncios de emprego, usados por criminosos para angariar pessoas, que os ajudem a fazer sair do país dinheiro proveniente da sua atividade criminosa, que ao receberem o dinheiro nas suas contas bancárias, ficam com uma parte e encaminham o restante para contas no estrangeiro.

Os valores depositados são sempre valores inferiores a €5.000 para desse modo os bancos não serem obrigados a alertarem o Banco de Portugal, mecanismo introduzido recentemente para combate ao branqueamento de capitais, sendo por essa razão que os depósitos são de €4.900.

As pessoas que respondem a estes falsos anúncios de emprego recebem um contacto a dizer que irá receber um depósito na sua conta e que tem de o encaminhar como parte das funções do novo emprego, devendo usar o sistema de transferência de dinheiro da WESTERN UNION, e reter uma parte do dinheiro a título de pagamento, sendo o destino do dinheiro o Brasil ou a Rússia, onde estes esquemas fraudulentos têm origem.

É neste ponto que as “Money Mules” se apercebem de que estão prestes a participar num esquema de branqueamento de capitais, havendo quem decida denunciar o caso às autoridades.

Mas no entanto, outros tentados pela possibilidade de ganhar rapidamente algumas centenas de euros, não denuncia a fraude e continuam a garantir a continuidade destes esquemas de branqueamento de capitais.

Assim, alerta-se para a necessidade de todos os cidadãos que tenham conhecimento de situações idênticas à reportada, de contactarem imediatamente as autoridades, porque caso não o façam, podem ser considerados cúmplices de uma atividade criminosa de branqueamento de capitais.