Na Noruega há um treinador alentejano que já vestiu a camisola do Clube de Futebol de Estremoz. Vítor Gazimba treina a equipa do Stromsgodset, clube que pela primeira vez se sagrou campeão. O técnico fala da sua experiência mas confessa que tem saudades e guarda boas recordações da equipa encarnada.

‘E’ – Onde começou praticar futebol?
Vitor Gazimba (VG) – Comecei a praticar futebol no Calipolense.

‘E’ – Em que época jogou no CFE?
VG – Joguei na época 2004/2005.

‘E’ – De que se lembra dessa época?
VG – Lembro-me de uma equipa fantástica, dentro e fora do campo. Tínhamos um mister espetacular, um balneário de luxo e muita qualidade dentro do campo. No campeonato não tivemos o melhor dos inícios, mas fizemos uma 2ª volta de grande nível e acabámos em 2ºlugar. Lembro-me que o União de Montemor teve a possibilidade de se sagrar campeão em Estremoz, jogámos desde o minuto 30′ (da primeira parte) com menos um jogador devido a expulsão e mesmo assim ganhámos por 3-0, ou 3-1 (não tenho a certeza se chegaram a marcar). Foi a melhor equipa em que estive e o ano em que tive maior prazer em jogar futebol. Nesse ano fiz amigos que jamais esquecerei e dos quais guardo muita saudade.

‘E’ – Pensava vir a ser treinador?
VG – Nessa altura ainda não pensava em ser treinador, foi quando entrei na Universidade de Évora que percebi que o mundo do treino era definitivamente o meu mundo.

‘E’ – Como surgiu a hipótese de treinar no estrangeiro?

VG- O Stromsgodset tinha acabado de ser campeão nacional norueguês, e os diretores do clube decidiram que o próximo passo do clube seria apostar na evolução da equipa de sub-21. O Stromsgodset é conhecido por ser um clube que aposta bastante em jovens jogadores.
Procuravam um treinador que viesse do estrangeiro (Portugal ou Espanha) e que tivesse uma visão diferente do futebol e do treino. Alguém que pelo seu conhecimento e forma de trabalhar lhes desse garantia de colocar qualidade extra nos jogadores mais promissores do clube. Nessa altura encontrava-me a treinar pela 2ªépoca a equipa sénior do Ericeirense (subimos de divisão na 1ªépoca e encontravam-nos em posições de subida quando recebi esta proposta vinda da Noruega) e caminhava para terminar o meu Doutoramento em Treino Desportivo na Faculdade de Motricidade Humana em lisboa. Os contactos que os diretores do clube tinham em Portugal sugeriram o meu nome e depois de terem observado alguns dos meu treinos na Ericeira e de me terem visitado na Faculdade, rapidamente me convidaram para assumir o cargo de treinador principal da equipa de sub-21 e para ser o principal responsável pela metodologia de treino do clube.

‘E’ – Como está a ser a experiência?
VG – A experiência está a ser fantástica. Sagramo-nos Campeões da 4ªdivisão Norueguesa na passada terça-feira dia 07/10/2014, depois de termos vencido (fora) um derby da cidade de Drammen por 7-1, num campo onde a equipa tem vindo a perder pontos nas épocas anteriores. Não perdemos pontos desde dia 27/05/2014 e já levamos 16 vitórias consecutivas. Estamos a fazer a melhor época de sempre desde que a equipa de sub-21 do clube foi criada. Nunca na história do clube, a equipa de sub-21 tinha conseguido alcançar a subida à 3ªdivisão Norueguesa, ou conseguido somar mais de seis vitórias consecutivas. Nós não só conseguimos alcançar a subida de divisão que era o principal objetivo da época, como também fomos capazes de colocar a cereja no topo do bolo, ao sagramo-nos campeões.

‘E’ – Pensa vir a treinar em Portugal?
VG – Neste momento tenho contrato com o Stromsgodset por mais dois anos e tenciono cumpri-lo. Gostaria de regressar um dia para treinar em Portugal, mas claro isso depende sempre da qualidade das propostas que vão aparecendo.

‘E’ – Que mensagem deixa para os alentejanos?
VG – Deixo a mesma mensagem que um dia um dos meus professores na Universidade de Évora me deixou, numa altura em que me encontrava a dar os meus primeiros passos como treinador de futebol, “Há sempre espaço para a qualidade”. Foi uma mensagem que me tocou e desde esse dia procurei trabalhar mais que todos os outros que se encontravam à minha volta, para tentar garantir que um dia haveria espaço para mim no mundo do treino.